Ela e ele sempre se olhavam como se fosse a última vez que eles se viriam. Mas não. Nunca era. E ninguém poderia dizer que um deles soubesse disso. Ao contrário. Sempre se encontravam com a certeza de que o outro tomaria consciência do absurdo que era se aventurar em ideias que, para tanto (s), já soavam tão passadiças. Sempre acreditavam que o outro pudesse, finalmente, tomar o lugar que o outro julgava como seu, mesmo não sabendo como e quando o adquirira. Eram, por isso, a princípio, sempre hostis. Arrastar de cadeiras solicítos, gentilezas a esmo. É engraçado para nós pensar quão incômodo deve ser para duas pessoas que se conhecem tão bem se olharem nos olhos fingindo não tencionar coisa alguma.