Às vezes temos a faca e o queijo na mão para mudarmos o nosso dia, para convertê-lo em momentos de alegria atropelada, mas ainda alegria. Há quem faça isso dia ou outro (quem nunca teve as suas fugas que atire a primeira pedra), há quem passe uma vida inteira fazendo isso (aqueles que, apesar de capazes de grande amizade, não denotam grande admiração), principalmente quando há vestígios irreparáveis que insistimos em mandar para debaixo do tapete. Eu não. Agora quase sempre eu troco esses momentos por uma solitude muito lúcida que, apesar de me afogar na maioria das vezes, revela um tanto de mim que não passa ileso nos muros que a gente ergue durante o dia, mas para o qual também não damos a devida atenção. À medida que vou me afastando cada vez mais de quem empurra vida, gente, trabalho com a barriga, vou, além de adquirindo uma contínua dor nos olhos e costas, amadurecendo um pouco mais a ideia de nunca querer ser só e ao mesmo tempo lidar com a solidão de uma forma serena se ela me tentar. Em uma madrugada de sexta para sábado me assusta um pouco o acúmulo de ambiguidades na cabeça, principalmente quando não há previsão de sol para os próximos dias, mas já dizia um muito amigo meu que o que vai me salvar ainda está por vir, e quem avisa amigo é.
(…)
Apesar da barriga, resolvi parar de usá-la pra empurrar. Falta só mais 8 dias e aí começa a fase em que só eu mesmo posso me empurrar.
Permaneço admirando.