Eu minto bastante. Já menti mais. Sei contar vantagem, tenho alto poder de persuasão. Sorrio sabendo, abaixo no soco. Isso porque, durante boa parte da minha vida, ouvi as pessoas mentirem. Sofrer de um determinismo não me isenta de culpa alguma, mas, decerto, me permite ser, ao menos, mais condescendente em relação às mentiras que conto. Cresci perto de pessoas que mentem o tempo todo, mentem demais. Hoje vejo as mesmas pessoas mentindo tão descaradamente, perpetuando casos e induzindo testemunhas… que só resta a vontade de me rasgar inteira, me desmascarar mais. A dívida que me prometo é a dúvida pela qual sempre me repenso, dia-a-dia, até o fim da vida, até o sinal dos tempos… quanto mais? E é por isso que a mera hipótese de omissão já me provoca o luto, já me atira aos leões. Fora isso, há ainda as prov(oc)ações. Mas não externo raiva. Jogo-me no buraco, mas levo comigo mais um ou dois. Porque amor, afinal, nunca é demais.
Kaori-ori escrevendo? Maravilha!
Quanto ao tema, esses dias eu esteva lendo uma revista de psicanálise falando sobre a mentira, sobre como é importante mentir e como a mentira, desde que o mundo é mundo, foi um importante mecanismo na evolução do homem. É a nossa culpa cristã que acaba ferrando nossa cabeça.
Beijo!
E aí que surgem as “white lies”. Mesmo sendo um mal “necessário”, as consequencias são inegáveis e, as vezes, irremediáveis.