Engraçado como as pessoas manipulam o amor, como gostam de encher a boca para falar que ele morreu, que ele acabou, que isso e aquilo ou, ainda, que ele é tão excelso que valida qualquer desespero infundado (pleonasmo?), qualquer passadismo afetado (pleonasmo II?), qualquer desgaste da razão. O amor vira um pretexto para o rancor virar pauta, para denotar certa notoriedade sobre a suposta dignidade das pessoas, para enaltecer uma mudança que nunca aconteceu.
Fica essa pressão sobre a gente como se o amor fosse a remissão de todo o pecado, de todos os erros. Tudo isso impulsionado pela crença de que o amor é sempre voltar, é sempre não mudar, é sempre não ter alternativa, é sempre possuir, é sempre receio de perder. Besteira. O amor não é nada disso.
Acho engraçado o que acontece(u) com o amor quando ele não corresponde(u) com as expectativas criadas pelas pessoas. Estas ficam infantis, retardadas, egoístas e, não menos, cômicas. Gritam aos quatro cantos que fulano vai se arrepender, que cicrano vai aprender, que beltrano ficou cego. Mais bizarro ainda é que, pretensamente, acreditam ser possível sentirmos falta delas com tais “acessos”, autopiedade da boa como se o amor fosse capaz de vitimar alguém. Besteira. O amor também não é isso. O amor nunca dá as costas.
Sair por cima também é uma boa. Afinal, a culpa é sempre do outro. O outro que mudou, que cagou, que não correspondeu. Besteira. O amor não muda nem acaba, mas aceita e entende mudanças e términos. O amor também aceita que as pessoas nunca mudam. É tão melhor, mais aceitável e reconfortante poder pensar todos os dias nas mesmas pessoas sem remorso algum; aceitar que, por mais que elas mudem, sempre serão a fé determinante no momento mais impreciso e em todos os outros também; não ficar com remorso se não ver todos os dias nem rancoroso se a saudade fizer a lágrima saltar. O amor não esmorece, não abala. Alguma coisa de nós pode até ficar doído, ofendido, injustiçado, mas o amor, não.
Vejo o tempo todo as pessoas sendo machucadas, perturbadas por aqueles que declaram amor como se ele fosse um grito de guerra, um mantra, um salve-se-quem-puder. O amor não é isso. O amor é discreto, é bom, é saudável. O amor é além, é querer bem no infinito, é a nulidade da própria dor no sorriso do outro. O amor deixa livre quem guia nosso coração.
O amor é intacto. O amor eu sei, soube, desde o primeiro dia. Desde a primeira vez que nos vimos, quando sequer nos conhecíamos. E eu não me enganei nunca. Porque o amor não é só um encontro. O amor é uma vida inteira, independente do porvir.
Fico pensando que, se as pessoas não conseguem nem sequer querer o bem de quem se ama, o que dirá daqueles que estão além do nosso plano A, estranhos no ninho, afastados da concha?
Ninguém morre pela falta de alguém. O certo é morrer por falta de amor.
Eu, hein.
a inspiração chegou e ficou.
beijo
Gostei muito do teu texto, acho que pensamos de forma parecida em relação a um amor livre, e não algo que se busca em alguém. Leia um texto que escrevi dentro desse contexto!!
http://analogiasrepentinas.blog.com/4753406/
Parabéns!