Autoramas: Nunca gostei, nunca tentei ouvir. Fui no show para ver outra banda. Tudo o que eu sabia sobre eles estava nos arquivos da MTV. Lembro de ter achado os caras estranhos, sujos, retrô demais em um clipe e letra que julguei bem maomeno há muitos anos atrás quando eles estouraram. No entanto, vendo a apresentação do trio carioca no sábado, achei o maior barato. E é justamente essa a palavra: barato. Letras simples, bobas, engraçadinhas combinando com os tiques, passinhos e caras e bocas não fazem, definitivamente, jus a complexidade filosófica, a alguma grande personalidade que alguns críticos querem atribuir aos integrantes. Respeito o Gabriel e o Bacalhau por sua história, pela insistência, até porque estão lá muito bem cercados de parcerias e contatos que ganham uns bons créditos. No entanto, a receita é básica: Canções curtas, muito barulho, letra descolada e uma performance extremamente descontraída que rouba, muitas vezes, a cena. Taí, gostei. Vale uma visita no playlist em dias mais leves. É como o Miranda disse sobre 1, 2, 3, 4. Um bê-a-bá bem bobo, mas que pega. Bem melhor que cada um no seu quadrado.
Cachorro Grande: Esse é o terceiro show que vou da banda e o primeiro que saio sem vontade. E, admito, demorou. Ou o Big Dog para de esculhambar no palco ou fica impossível assistir um show dos caras sem brochar. Ou os caras aprendem que ter personalidade nada tem a ver com achar que o pico onde eles tocam é a casa da mãe Joana ou vão continuar sempre com o mesmo público medíocre, piegas, tiete e irritantemente descolado. Gosto da banda, gosto das músicas. Achei que o último álbum – Todos os Tempos – e a prévia do próximo – vide a inédita Dance – indicam um amadurecimento significativo da banda não só em relação às músicas, mas também em relação às letras (mais o primeiro que o segundo, claro). No entanto, ninguém mais aqui engole essa de posar de rock irresponsável. Mais triste ainda é ver um público feiiiinho de doer tão carente de atitude, cuspe e tabaco.
Aniversário de São Paulo: Que me perdoem Ana Cañas, Roberta Sá, Diogo Nogueira e Paula Lima que, mesmo com toda a bossa na manga – ora por falta, ora por excesso de personalidade -, não conseguiram entusiasmar o público. No entanto, manifesto, aqui, o meu respeito por Celso Fonseca e a participação especial do maestro João Carlos Martins. Esse último nome, aliás, que deixou bem claro que a gente não é bobo, não. E só aplaude de pé o que nos interessa: um pouco mais de sangue, de vida, de paixão na música. Quanto ao Toni Garrido, não cheira nem fede. Já a tal da Mercury nem citar é possível, pois ainda não entendo o porquê do Brasil insistir tanto em eleger a bendita para nos representar em tudo quanto é coisa referente a nossa grande e vasta cultura musical, quando, antes de uma artista bem maomeno, ela é, pra mim, um bom concentrado de abobrinha enxerida (um dia, talvez, falemos, especificamente, sobre pitacos políticos mal-sucedidos).
Lulu Santos: Apenas duas músicas do último álbum. No mais, o de sempre. Mas o que é o de sempre no show do Lulu? Como diria um amigo meu, um show que vale por 10. Como diriam outros tantos: Lulu é deus. E ponto.