Durante todo o ano de 2009, achei que aquele era um ano difícil. Hoje, olhando para trás, até que vejo algo bom, algo engraçadinho.
2009 foi o ano de tirar o pé do acelerador, de respeitar um pouco o meu tempo e de me respeitar também. Comecei a delimitar um pouco mais o amor compulsório que eu tinha por tantas pessoas e causas e comecei a ditar um pouco mais a regra para não enlouquecer sem justificativas. Deixei de ser tão arbitrária e, também por isso, menos dedicada também. Foi o ano de deixar o tempo tocar um pouco a minha vida para encontrar, ainda inteira, a saída, no futuro, que eu elegi.
Como todos os anos, 2009 deixou suas marcas. Emagreci. Usei óculos escuros exageradamente. De dia, no fim da tarde, quando nublado, dentro de ambientes fechados. Dormi mal. De quando em quando tive sonhos ruins. Joguei cinza no texto dos e-mails. Tirei o caderninho da bolsa. Troquei por um guarda-chuva por medo de me molhar e por um rolo de papel higiênico, sempre escudeiro, seja para a coriza, seja para as pressões do dia-a-dia.
Não comprei um cd, não li um livro se não aqueles que o ofício exigiu. E não senti falta.
Também larguei mão da depressão. Se 2009 foi um ano aos tropeços, também não enchi bola de solidão. Nem minha, nem de ninguém.
Fui muito ao cinema, ao parque, ao açougue. Aprendi a cozinhar, a fazer a batata-frita mais sequinha do pico. Fiz dieta, desisti, tive o ano mais junkie da minha vida e, ainda assim, perdi peso (ié). Adotei dois gatos – Leiloca e Luca – que me custaram algumas telhas, alguns dinheiros e vários cliques a quatro mãos e oito patas. Me formei. Aprendi a nadar, a levantar cedo pra caminhar, a correr pra esquecer. Viajei algumas boas vezes, sempre a la lua-de-mel. Tomei algumas, ri de porre. Escrevi mais cartas que posts, paguei mais contas em um ano do que paguei nos outros vinte e um. Vi alguns shows memoráveis, mas principalmente acho que vi um Milton Nascimento e um Lô Borges, juntos, como eu acho que nunca mais verei na vida. Estudei espanhol. Aprendi, finalmente, o inglês e comecei a ganhar uma graninha com isso. Trabalhei muito. Peguei vários freelas. Viciei na esfiha de carne. Fui ao estádio da porcada pra pagar os pecados.
Também teve o de sempre, sempre diferente, e hilário quando não triste.
Foi em 2009 que eu entrei no carro de alguém pra me provar pela enésima vez que ela mudaria; que uma das minhas melhores amigas, das quais eu mais me orgulhava, brigou comigo porque eu fui comer batata-frita e não hot-dog; que me chamaram de egoísta porque eu não quis dividir culpas; que um ex, determinado a me lembrar quem eu sou, me perseguiu insistentemente; que uma das pessoas que eu mais respeitava e defendia no ambiente de trabalho, delicadamente, tentou, por vezes, me ferrar; que meu salário atrasou pela primeira vez; que umas quantas lá esqueceram que o meu namorado é muito meu. E dá-lhe pó.
Aliás, esse é um capítulo à parte. Não é só porque, em 2009, eu acordei, dormi, almocei, jantei, trabalhei todos os dias com o meu amor (e ainda estudei durante alguns meses… hehe). Não é só porque, durante os 365 dias do ano, a gente não ficou longe por mais de dois dias. Mas porque, entre todos os perrengues e porcarias de 2009, essa foi a coisa mais terna, suave, completa que eu tive não só nos dias de 2009, mas na minha vida inteira. Foi o ano em que, no show do Marcelo Camelo, eu tive nas mãos todos os motivos do mundo pra ouvir aquela música e saber que ela era minha, era nossa, era bem a cara da gente, do “é, deus, parece que vai ser nós dois até o final”. Por ver o jogo se realizar de um lugar seguro.
Ou seja, teve lá seus altos e baixos, mas no fundo, no fundo, foi tudo bem legal, legal, mesmo. Eu separei direitinho, escolhi direitinho e tive muito tempo para rir, para brincar, para chorar junto com as pessoas que eu mais amo, principalmente com os meus amigos, cujas fotos, cartas e bilhetes ficam espalhados na casa e no trabalho onde as coisas também já não vão tão mal. Enfim… acho que o mais importante é que 2009 finalmente acabou e, ainda assim, eu continuo com muitíssima esperança.
Mas isso já é assunto para outro post…
